Em um mundo atravessado por transformações tecnológicas aceleradas, falar em educação apenas como uma etapa da juventude tornou-se insuficiente. O conceito de lifelong learning, aprendizado ao longo da vida, deixou de ser tendência para se consolidar como necessidade estrutural. Aprender inglês, desenvolver repertório artístico e dominar tecnologias digitais na fase adulta não é sinal de atraso, mas de inteligência estratégica diante de um cenário profissional e social em constante mudança.
Na teoria educacional contemporânea, a educação continuada se sustenta em pilares que envolvem aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser. Fundamentos discutidos desde o Relatório Delors, da UNESCO, e amplamente adotados por universidades como a PUC em seus programas de educação permanente. A premissa central é clara: aprender não é acumular diplomas, mas desenvolver competências cognitivas, sociais, criativas e tecnológicas ao longo de toda a vida.
Essa lógica ganha ainda mais força quando observada à luz do Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum. O relatório aponta que a educação continuada deixou de ser uma escolha estratégica e passou a ser condição básica para a permanência e a relevância profissional. Segundo o estudo, os empregadores estimam que 39% das habilidades centrais dos trabalhadores mudarão até 2030. Ainda que o índice comece a desacelerar, o dado evidencia a rapidez com que competências técnicas e comportamentais se tornam obsoletas.
Nesse contexto, aprender inglês na fase adulta ultrapassa a ideia tradicional de idioma como ferramenta instrumental. Pesquisas da Harvard Business Review indicam que profissionais bilíngues apresentam maior flexibilidade cognitiva, melhor capacidade de resolução de problemas complexos e maior mobilidade em ambientes multiculturais. O idioma funciona como porta de acesso à ciência, à inovação, à produção acadêmica global e às tecnologias emergentes, áreas nas quais o inglês segue como língua franca.
As artes, por sua vez, ocupam um papel muitas vezes subestimado nesse debate. Estudos em neurociência cognitiva, como os publicados pelo National Endowment for the Arts e pela University College London, demonstram que o contato contínuo com práticas artísticas na vida adulta estimula a memória, criatividade, pensamento crítico e saúde emocional. Em um mercado cada vez mais automatizado, competências humanas como sensibilidade estética, interpretação simbólica e pensamento criativo tornam-se diferenciais competitivos, e não acessórios culturais.
Já a tecnologia, longe de ser domínio exclusivo das novas gerações, é hoje uma linguagem básica da cidadania contemporânea. Dados da OCDE mostram que adultos que investem em alfabetização digital e em programas de upskilling e reskilling têm maiores índices de empregabilidade, renda e participação social. O próprio relatório do World Economic Forum destaca que metade da força de trabalho global já participou de algum tipo de treinamento recente, evidenciando a incorporação da aprendizagem contínua às estratégias organizacionais.
Histórias individuais ajudam a traduzir esses números em realidade concreta, como a trajetória de Careen Fernandes que estudou no ICBEU na adolescência e, anos depois, ao matricular a filha em um curso de inglês, decidiu também retomar os estudos. Ingressou no no inglês avançado, o Expert, e se formou em 2024, vivenciando uma nova relação com o aprendizado na vida adulta.
“Eu fiquei muito feliz porque o ICBEU cresceu, se modernizou, está cheio de desafios e novidades. Foi mágico reencontrar o ICBEU. Aprendi muitas coisas que não sabia, é engrandecedor. Sou muito grata a todos que fazem o ICBEU ser tão especial e transformar a vida de tantas pessoas”, relata.
O lifelong learning como estilo de vida não entrega apenas conhecimento técnico. Ele prepara indivíduos para navegar em transições constantes, integrando idioma, cultura, arte e tecnologia como partes de um mesmo ecossistema formativo. Não por acaso, o World Economic Forum aponta a curiosity and lifelong learning como uma das habilidades humanas mais relevantes da atualidade, ao lado do pensamento crítico, da criatividade e da alfabetização tecnológica.
Mais do que formar profissionais para funções específicas, o desafio contemporâneo da educação é formar adultos capazes de aprender, reaprender e se adaptar. Nesse cenário, estudar inglês, artes e tecnologia na fase adulta não é retorno ao passado escolar, mas um movimento consciente em direção a um futuro que exige repertório, sensibilidade, domínio técnico e, acima de tudo, disposição contínua para aprender.
