Arte-educação como experiência formativa na Escola de Artes do Icbeu

Na arte-educação, aprender não se limita à assimilação de técnicas ou conteúdos formais. Trata-se de um processo no qual o corpo, a percepção e a experiência ocupam papel central na construção do conhecimento e performance. 

Fundamentada na proposta triangular de Ana Mae Barbosa, que contempla prática, apreciação e contextualização no ensino-aprendizagem de cada linguagem artística oferecida pela Escola de Artes do Icbeu Manaus (Art School), a metodologia da escola integra técnica, expressão e consciência corporal, promovendo não apenas o desenvolvimento físico, mas também habilidades cognitivas e socioemocionais como concentração, disciplina, criatividade e autoestima.

Voltado para crianças de 6 a 11 anos, o curso de Ballet Clássico Kids, por exemplo, adota uma abordagem ativa, lúdica e sensível às diferentes fases do desenvolvimento infantil. A partir do imaginário, de jogos corporais e de experiências musicais, as crianças têm seu primeiro contato com a linguagem do ballet clássico de forma prazerosa e significativa.

A importância da ludicidade

Para a professora de dança da Art School, Anádria Rassyne, especialista em Arteterapia e Educação, Saúde e Qualidade de Vida e Consciência Corporal, o “estado de ludicidade” é decisivo para que a prática do ballet seja absorvida de forma mais efetiva na infância.

A proposta dialoga diretamente com a arte-educação ao reconhecer que a formação artística acontece na experiência sensorial, na experimentação sistemática e na troca.

“As práticas corporais são elaboradas para que o aluno se perceba em uma vivência na qual a linguagem expressiva articula movimento e subjetividade, promovendo conhecimento e bem-estar a partir de uma abordagem que transforma a simples atividade física em um processo mais amplo de educação sensível, no qual autoconhecimento e conexão social se encontram no gesto e na presença”, explica Rassyne.

Professora de Ballet Clássico da Art School, Anádria Rassyne em aula prática com alunas no palco do Teatro Icbeu (Divulgação)

Embora a ludicidade atravesse toda a experiência humana, é na infância que ela se manifesta com maior intensidade. Aproximar a técnica rigorosa do ballet clássico da corporeidade infantil e de sua realidade exige mediação sensível, e é nesse ponto que o lúdico se torna essencial.

Por meio dessa metodologia alinhada à sensibilidade, a linguagem do ballet clássico se torna mais natural e acessível. “Sensibilidade que mencionamos, é a percepção do aluno de que, ao escutar uma música, ele tenta traduzi-la em movimento”, afirma a arte-educadora.

Rassyne explica como o lúdico atua enquanto uma ferramenta de mediação para a consciência corporal, para a coordenação e o equilíbrio, para a qualidade do movimento e para o despertar da disciplina e da criatividade.

“Ao brincar, a criança desenvolve consciência do próprio esquema corporal, fortalece habilidades motoras e amplia sua coordenação. Movimentos como saltar e pular passam a ser compreendidos dentro de uma estrutura técnica que, à primeira vista, pode parecer abstrata. Gradualmente, por meio da imaginação e da experiência prática, a criança começa a visualizar e internalizar os fundamentos do ballet”, conta a especialista.

Aprendizado com propósito

Nesse ritmo, a experiência durante as aulas, nesse contexto, reverbera na formação artística dos alunos. O Ballet Kids deixa de ser apenas um curso de dança para ser uma ferramenta estrutural de desenvolvimento na infância fortalecendo habilidades socioemocionais e artísticas.

De acordo com a servidora pública Cybele Costa, mãe da aluna Maria Beatriz, a vivência do ballet tem sido determinante para o desenvolvimento da filha. “Ela demonstra muito entusiasmo em participar das aulas. Em casa, gosta de reproduzir os movimentos, mostrando o que aprendeu, principalmente quando são coreografias”, relata.

“É muito bacana acompanhar a evolução dela na interação social e na autoconfiança. Percebo o compromisso de toda a equipe, especialmente da professora, sempre muito atenta e sensível às necessidades das alunas”, complementa.

Vivência na Art School 

Oportunidades como aulas experimentais, oficinas e vivências oferecidas pela escola de artes à comunidade, tornam-se experiências formativas fundamentais, nas quais percepção, emoção e contexto se integram, ampliando o repertório cultural e expressivo dos participantes.

Ao compreender a arte como vivência e não apenas como produto, o Icbeu Manaus valoriza a educação artística local reafirmando seu compromisso com a formação de cidadãos críticos, criativos e conscientes de sua relação com o mundo por meio das artes.